9 perguntas e respostas sobre a bactéria que assola a Alemanha

08 de junho de 2011 | Postado por Marina em Alemanha

Mas será o Benedito (ou é mesmo o fim do mundo) ?! A questão é que parece que todas as férias aparece alguma coisa nova  para estressar os viajantes: Um ano foi “a danada” na gripe H1N1 afetando bastante a Argentina e outros países. Depois o vulcão da Islândia e o caos aéreo na Europa. Posteriormente, nevascas no EUA e em toda a Europa nas vésperas do Natal. Não esquecendo, é claro, do acidente nuclear no Japão, das chuvas no Nordeste,  dos terremotos na Nova Zelândia e da crise política nos países do Oriente Médio.

 Agora, é a vez da Alemanha e esta nova bactéria…..

Como a mídia às vezes aumenta um pouco as coisas, achei que este esclarecimento do Jornal  espanhol El País  bastante elucidativo para os  turistas e intercambistas que já estão com viagem marcada, poderem viajar mais tranquilos para aquelas bandas da Europa…

 9 perguntas e respostas sobre a bactéria que assola a Alemanha

Um tipo muito raro da bactéria E.coli, o O104:H4, incorporou genes de outras bactérias e é mais tóxica e nociva do que sua versão “comum” A bactéria E. coli é uma das mais frequentes nas infecções alimentares, junto com a salmonela.

Há dezenas de tipos diferentes, mas em geral é uma bactéria fecal que vive no aparelho digestivo dos animais e dali pode acabar na água, nas plantas ou na terra.

Já houve surtos no Japão e nos EUA, mas desta vez é especialmente agressiva.

1.: O que causa a infecção?

 R.: Está claro desde o início. É a bactéria Escherichia coli. Depois se soube que é de um tipo muito raro, o O104:H4, que além disso havia incorporado genes de outras variedades – não disseram quais – que aumentam sua produção de toxinas (concretamente a chamada shiga, que é como a fabricada pelas bactérias do tipo Shigella, também muito nocivas).

2.: Qual é o foco?

R.: No início se pensou que a bactéria estivesse em pepinos espanhóis. Descartada essa hipótese, procura-se qual alimento pode ser a fonte. Também se levanta a possibilidade de que esteja na água.

 3.: Quais são os sintomas?

R.: A infecção começa com dores abdominais seguidas de uma forte diarreia, que pode ser sanguinolenta. Nesse estado já é preciso ir ao hospital. Depois a bactéria ataca os rins, produzindo uma espécie de insuficiência renal que se caracteriza pela chamada síndrome hemolítico-urêmica (HUS na sigla em inglês, que significa a presença de sangue na urina).

4.: Qual é o tratamento?

R.: O melhor nas infecções por E. coli é deixar que passem sozinhas. À diferença de outras bactérias, esta responde mal aos antibióticos. Ou, pior ainda, reage produzindo mais toxinas. Por isso se usam tratamentos paliativos (hidratação, antitérmicos). Mesmo assim, acredita-se que um tipo de antibiótico (os carbapenemos) pode funcionar.

5.: Por que este surto é tão excepcional?

R.: A E. coli é uma velha conhecida dos serviços epidemiológicos. É, por exemplo, a responsável pela maioria dos casos de diarreia do viajante, ou do famoso mal de Montezuma. À diferença daquelas é que a cepa que se espalhou na Alemanha (uma variante da O104) é especialmente agressiva.

6.: Como se desenvolveu a bactéria?

R.: As bactérias têm muita facilidade para trocar de genes, emprestá-los ou tomar emprestados. É seu mecanismo de defesa contra os antibióticos e seu sistema de concorrência. Como a E. coli habita o aparelho intestinal dos animais (incluindo os seres humanos), o mais lógico é pensar que esta nova cepa tenha sido gestada nesse entorno, onde coincidiram bactérias de dois tipos: a O104 e outra, que foi a que passou os genes que a tornaram mais agressiva.

7.: Como se contamina?

R.: A origem está em um alimento. A bactéria vive no intestino dos animais, de onde passa para a terra, a água ou as plantas por meio das excreções. Daí passa ao ser humano ao ingeri-la. Nos casos de transmissão entre pessoas, a via é a fecal-oral: uma pessoa que não se lava bem depois de fazer as necessidades, e das mãos a bactéria passa para um alimento ou objeto que outra pessoa leva à boca.

8.: Como se previne?

R.: É preciso evitar os alimentos crus, porque a bactéria adere à superfície de folhas ou verduras. Se for fazer uma salada, é preciso lavar os ingredientes com água com algumas gotas de água sanitária. Também é preciso clorar ou ferver a água potável. E a carne deve ser bem cozida. Os alimentos congelados podem estar infectados, mas a partir dos 70 graus abaixo de zero a bactéria é destruída.

9.: É perigoso conviver com um infectado?

R.: Em princípio, não. Embora haja bactérias que são transmitidas pelo ar, costumam ser as que colonizam o sistema respiratório (como a da tuberculose) e que portanto podem se propagar nas minúsculas gotas de saliva que todos expulsamos ao espirrar ou mesmo ao respirar. A E. coli está no sistema digestivo, e por isso é necessário um sistema de contágio baseado no contato. Portanto, a melhor medida preventiva é lavar as mãos depois de ir ao banheiro.

 Fonte: Emilio de Benito – El País  – Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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