Tudo que você precisa saber antes de fazer Intercâmbio ou processo de imigração legal na província de Quebec, Canadá

11 de abril de 2013 | Postado por Marina em Canada

O que é preciso pra conseguir visto de estudante?

Você procura uma escola (de línguas, de formação em algo específico, tipo música ou design ou moda…) ou uma universidade e se candidata a uma vaga. Cada escola pede uma documentação diferente, mas a maioria vai pedir, no mínimo, comprovação de estudo (diplomas), histórico escolar, identidade, tudo traduzido pro inglês ou pro francês. Essa documentação você
manda pra escola, e, se ela te aceitar, vai te mandar uma carta-convite pra estudar lá. Se for na província do Quebec ,precisa mandar uma cópia da carta para o governo do Quebec, pra poder receber o CAQ (Certificat d’Acceptation du Québec), que é um documento que é a sua permissão pra estudar no Quebec.

Ok,  Quebec já te aceitou, agora falta o Canadá. Aí, com a documentação que você recebeu da escola, da província e mais alguns formulários (tem tudo no site do CSC-VAC), você entra com o seu pedido de visto de estudante canadense. Tudo é feito pelo
correio, não tem entrevista (se tiver, é por telefone). Tudo isso demora de 3 a 6 meses.

Trabalho:

Tem dois tipos de visto de trabalho, um que você já precisa ter uma oferta de emprego do país e outro que você pede um open work visa, que é pra ir para  o país com a permissão pra trabalhar. Esse último demora mais pra sair. Outra forma é aplicar pra
imigração permanente, que é um processo que leva uns 2 anos, tem muitas entrevistas, exige um bom nível de francês. Você chega sem emprego, mas o governo dá aulas de francês, cursos de como fazer um currículo, como enriquecer o currículo e como encontrar um emprego.

O governo exige que o estudante entre com alguma quantia fixa de dólar canadense?

O estudante universitário estrangeiro paga mais caro que o estudante canadense. Nisso já tão inclusas as taxas de educação, que não são baratas, mas são mais baratas que nos Estados Unidos. As universidades (Concordia e McGill são anglófonas; UQAM é francófona) possuem programas de bolsa, e até algumas escolas também, mas para estudantes de até 25 anos. Cada universidade/escola tem sua dinâmica de pagamento: a cada semestre paga pra estudar ou paga tudo de uma vez ou vai nas mensalidades. Também acontecem empréstimos estudantis, que é o que a maioria dos canadenses faz. As escolas também são
abertas a organizar esse pagamento com o aluno.

É fácil achar casa ou apartamento? É caro? E o transporte?

A melhor coisa que tem é morar no centro, Downtown, porque é lá que ficam as universidades, o comércio, os bares, as casas de show. Mas também é mais caro morar lá. O bom é que é tudo interligado. Você compra um cartão de transporte (Opus Card) e todo mês carrega com CAN$ 75. Com ele você pega quantos ônibus e metrôs quiser durante o mês inteiro. A passagem unitária é de CAN $ 3, e ela dura 1 hora e meia. Ou seja, dá pra pegar o ônibus e, quando chegar na estação, entrar no metrô com a mesma passagem.

Os apartamentos na região do centro são, na maioria, studios, que é basicamente um cômodo onde fica quarto + sala + cozinha, uma kitinete. O aluguel sai por uns 650 dólares em média. À medida que o tamanho do apartamento vai aumentando, aumenta o preço. Eles dão nomes aos apartamentos pelo tamanho. O studio também é chamado de 1 e 1/2 (o meio é o banheiro). O 2 e
1/2 tem dois cômodos, quarto e sala + cozinha; o 3 e 1/2 tem quarto, sala e cozinha separados, três cômodos; o 4 e 1/2 tem quatro cômodos, sendo dois quartos, sala, cozinha separada e banheiro. Sim, é comum as casas só terem um banheiro.

É fácil achar um lugar pra morar desde que você chegue em junho. Dia 1 de julho é o dia oficial da mudança em Montreal. Todos os contratos acabam e começam nessa data. Também é comum a galera sublocar os espaços ou transferir o contrato pra outra pessoa em outras épocas do ano.

Alimentação?

Alimentação não é barata. Quer dizer, tem coisas caras e coisas baratas. todas quintas-feiras os supermercados lançam promoções, então dá pra ir em cada lugar e comprar o que tá mais barato naquele lugar.Água é muito barato, mas também dá pra tomar da torneira. Carne é mais ou menos caro, e frango custa mais ou menos a mesma coisa que carne. No bairro Plâteau Mont-Royal (é o bairro descolado, que tem pubs, lugares alternativos de show, de festa, de rock, de moda), é também conhecido como o bairro português, que tem vários mercadinhos e restaurantes portugueses. E português e brasileiro, fora de Portugal e do Brasil, é tudo a mesma coisa. Tá em casa.

Que tipos de emprego os brasileiros conseguem?

A verdade é que, uma vez que você tá lá com visto de trabalho certinho, não tem diferença. Tem muito imigrante, a cidade é
multicultural mesmo. E, como todo mundo ganha bem, o costume da galera aqui nem é muito se formar e trabalhar na área. É de se formar porque é legal ou fazer um curso profissionalizante e ter um emprego qualquer, porque dá pra viver com tranquilidade.

Por que Montreal?

Toronto é a Nova York do Canadá e que Montreal era a Paris do Canadá. Eu não conheço Toronto, mas conheço Nova York e Paris e posso dizer que Montreal tem muito das duas cidades, na verdade. Em Toronto só se fala inglês, tem muitos prédios altos e aquele ritmo de metrópole. Montreal tem poucos arranha-céus, fala francês e inglês, é cheia de parques e muito
charmosa. A maior parte das pessoas é bilíngue, mas tem áreas da cidade, principalmente as mais afastadas do centro, que são totalmente francófonas. Não ter carro é uma coisa muito massa, porque o transporte funciona. Você baixa o aplicativo da empresa de transporte, que é a STM, e tem todos os horários de todos os ônibus e metrôs da cidade. A STM atende até pouco depois da
meia-noite, mas a cidade é tão acostumada com o serviço de metrô que até os shows e as festas começam cedo, pra poder terminar a tempo de todo mundo pegar o metrô de volta pra casa. E tem as baladas que vão até de manhã, pra pessoa ficar esperando o sol nascer pra pegar o metrô também.É muito prático, mas, às vezes, não ter carro faz falta. O metrô cobre bem a cidade, mas muita coisa só é atendida por ônibus. Aí a gente se perde, a gente anda muuuuuitoo e acaba perdendo um dia inteiro. Por outro lado, gente só conhece a cidade mesmo andando, né? E aqui é tudo bem plano, rola demais caminhar pra todo lugar. Rola também bicicleta. Tem ciclovia por quase toda a cidade.

Vou começar as dicas pelo Vieux Port, o porto velho, que fica na Old Montreal. O visual é lindo, e você pode caminhar pela Promenade des Artistes, um calçadão grande e bonito. É lá que ficam o Cirque du Soleil, a Biosfera, o museu de ciências e um rinque de patinação. É uma área boêmia, com restaurantes, bares (tudo meio caro) e a festa de réveillon tradicional da
cidade. O acesso é pelo metrô Champ-de-Mars. Pelo metrô Place D’Armes você também chega e, de quebra, vê o Palais de Congrès, a entrada de Chinatown e, na rua Notre Dame, a basílica de Notre Dame.

Outro lugar legal que fica perto é o Quartier des Spectacles, que você acessa pelo metrô Place des Arts. A estação é linda, tem
umas instalações de arte, projeções, e isso vai pro meio da rua também. Lá tem teatros, museus, e a saída da estação é na rua St. Catherine, outro dos lugares mais importantes de Montreal.

Nessa altura, a St. Catherine tem restaurantes e bares. Na altura dos metrôs Peel e McGill, ela tem mais lojas (tipo Apple Store e Louis Vuitton), na do Guy-Concordia, ela volta a ter bares. Tem karaokê, sinuca, boliche, fliperama… Andando um pouco pro lado esquerdo (supondo que você saiu da estação e está de frente pra St. Catherine), você cruza com a rua Crescent, que é só de pubs, boates e vida noturna. Não sei indicar nenhum lugar em específico, porque não gosto muito desse clima.

Prefiro o Mont-Royal, que é a vizinhança portuguesa de Montreal. Lá tem uma praça em homenagem a Portugal, bancos com poemas de Eça de Queiroz e três ruas sensacionais: a Mont-Royal, que é a da estação, cheia de livrarias, sebos, lojas de discos novos e usados, moda autoral, fotografia e coisas hipster em geral; a St. Dennis, que tem várias lojas legais também, tipo
Urban Outfitters, lanchonetes e dois bares indies, o Quais de Brumes, que tem show, e o Rockette, que tem balcão e discotecagem; e a St. Laurent, que tem tudo isso (o Divan Orange tem shows) e comércios bizarros e lojas de instrumentos musicais.

Por fim, tem o metrô Viau, que dá direto no Estádio Olímpico. No complexo do estádio tem a Torre de Montreal, que é um observatório que você sobe de bondinho, tem o Biodôme, que tipo um zoológico, e o Jardim Botânico, que é supergrande e tem, além de Jardins Japonês e Chinês, um Insectarium. Não sei como fica no inverno, mas eu fui no outono e gostei!

O que é preciso pra conseguir morar “em definitivo”?

Tem que saber francês pra conseguir encarar uma entrevista em francês. E tem um sistema de pontos que você vai acumulando pra ser aprovado ou não. Se tem até 25 anos, ganha tantos pontos. Se tem entre 25 e 30, menos pontos. Se tiver formação universitária, mais pontos. Se for casado, mais pontos. Se tiver filhos, mais pontos. Se fala as duas línguas, mais pontos. No
site Imigração Canadá tem um teste desses pra você fazer e descobrir qual é a sua pontuação. Aí eles aconselham a pessoa a entrar com o processo quando ela atingir uma pontuação X. Se você não tem ainda, você tem tempo pra conseguir os pontos, tipo ir melhorando as línguas.

Se eu entrar como estudante, posso dar entrada no visto de imigração? Mesmo morando no Canadá
como estudante eu posso concorrer à imigração?

Se entrar como estudante, com seis meses já pode mudar o status do visto pra trabalho, mesmo que não tenha emprego ainda. Você se coloca à disposição pra trabalhar oficialmente. Com três meses, você já tem direito à carteirinha da saúde do Canadá, o Medicare, como todos os cidadãos canadenses possuem. A saúde é pública e funciona! Com dois anos trabalhando aqui, pode dar
entrada no pedido de imigração, mas agora vai mudar pra apenas 1 ano

O que faz do Canadá um lugar melhor que o Brasil? E o que no Brasil é melhor?

É muito legal morar num lugar que tem as quatro estações, que muda o tempo todo, que tem sempre shows legais e eventos grátis. Com o incentivo à imigração que rolou há uns anos, Montreal é uma cidade que tem muita gente jovem e criativa, além de ser um lugar muito seguro e familiar. Em qualidade de vida, é muito à frente do Brasil. As pessoas são muuuito simpáticas, adoram conversar com você em todo lugar, mas elas têm uma cultura diferente da sua, hábitos diferentes dos seus, desde hábitos alimentares até a questão do toque. Elas são receptivas, dão dois beijinhos, mas é difícil ver um casal canadense de mãos dadas na rua ou se beijando. Quando tem gente se beijando pode crer que é estrangeiro.

E o frio? A gente vive em 30 graus, como dá pra aguentar tanto frio?

É incrível como o corpo se acostuma. Se agasalhando bem, é de boa andar na rua. Todas as paradas são uma cabinezinha fechada, pra ninguém ficar ao relento, e todos os lugares têm aquecimento. Saiu do frio, entrou no calor. Saiu do calor, até acha bom entrar no frio, porque, de casaco no quente, já viu, né? Hehehe. É muito legal quando neva. Tem menos vento, e, apesar de ter gelo caindo do céu, os dias são mais quentes.

Fonte:  Alinne Rodrigues – O Povo Online -CE – 16/12/12

 

  1. moro nos usa e gostaria de ir para o canadar o que presciso para conseguir o visto de trabalho,falo um pouco de ingles e sou pintor ,eu conseguiria nesta area o visto


  2. Olá Mariana!

    Adorei as informações do seu blog 🙂

    Muito legais e super importantes!!!


  3. Oi, Marina,
    Achei seu blog uma benção! Vou contar minha história pra você, já que é uma especialista no assunto e talvez possa me ajudar:
    Eu estudei inglês por 6 anos, mas ainda sinto insegurança principalmente ao falar. Por conta do meu trabalho, só posso ficar fora 1 mês. Estava pensando em fazer um curso de inglês + outro curso direcionado para minha area de atuação que é comunicação, ou um curso de ingles focado na area de comunicação. Mas fico na duvida se eu não deveria focar esse um mês apenas no inglês, se esse tempo seria suficiente para aprimorar ingles e aprender outra coisa? Minha prioridade é melhorar o inglês, mas gostaria de poder escrever no curriculo: fiz tal curso no exterior, sabe?
    O que você acha?
    Obrigada,
    Natália


Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *